Onda Verde: Um computador por aluno em sala de aula

Não são apenas cadernos e lápis que fazem parte da rotina dos alunos do 4º e 5º anos do ensino fundamental da escola municipal José Ribeiro dos Santos Filho, em Onda Verde. É comum ver sobre as carteiras minicomputadores portáteis conectados à internet, os netbooks, durante as aulas. A novidade chegou ao município de quatro mil habitantes em fevereiro deste ano. Segundo o Ministério da Educação (MEC), apenas outra escola em Serrana, região de Ribeirão Preto utiliza método semelhante. “Sabemos que o domínio da informática é hoje uma das principais exigências do mercado de trabalho. Além disso, o contato com os computadores deixa as crianças mais interessadas nas aulas”, afirma o secretário de Educação de Onda Verde, Reginaldo Lima.

Os minicomputadores são usados em disciplinas regulares como português e matemática. “Os alunos ficaram mais atentos às aulas. Nosso trabalho foi facilitado. Com a ajuda da informática, preparar uma aula hoje é muito mais prático”, afirma Tânia Cristina Luiz, 38 anos, professora há 18. Assim como os alunos, a professora possui o equipamento, mas conectado a uma lousa digital, que substitui o quadro negro. O que a professora escreve na lousa aparece no monitor das máquinas de cada aluno. Quando os netbooks são utilizados, as professoras são auxiliadas por outros três funcionários da escola.

Segundo pesquisa realizada pela direção do colégio, três em cada quatro alunos do 4º e 5º anos do ensino fundamental tiveram o primeiro contato com a internet por meio dos netbooks. A estudante Andreza Pereira da Silva, 10 anos, tem computador e internet em casa, mas aprendeu a utilizar melhor a tecnologia depois das aulas. “Antes eu só usava o computador para jogos ou para entrar no Orkut (rede de relacionamentos). Agora também aprendi a fazer pesquisas”, diz.

A aluna Ana Beatriz da Silva, 9 anos, diz que conheceu o computador e a internet no Telecentro da cidade, no ano passado, e que agora tem mais vontade de acompanhar as aulas, já que a tecnologia também está disponível na escola. “Ficou muito mais interessante com os netbooks. A gente faz várias pesquisas, todas bem legais. É emocionante.”

Para a diretora da escola, Fernanda Bocalon, os minicomputadores estão mudando a forma de aprendizagem dos alunos. “Os alunos aprendiam de forma mecânica. Decoravam uma matéria, faziam a prova e depois se esqueciam do conteúdo. Agora eles têm muito mais interesse, absorvem tudo o que é passado em sala de aula.”

 

onda-verde-foto-1

 

Para todos

Para o segundo semestre, a meta do município é disponibilizar sinal de internet gratuito para toda a população e permitir que os alunos levem os netbooks para casa. As famílias poderão se beneficiar da tecnologia sem nenhum custo. “Ainda precisamos instruir melhor os estudantes no uso dos computadores para que repassem aos pais o que aprenderam na escola. A família toda poderá utilizar programas ou navegar na internet com segurança”, diz Márcio Martins, coordenador pedagógico da Escola José Ribeiro dos Santos Filho.

Atualmente, a escola possui dez lousas digitais, 173 minicomputadores e cinco notebooks, utilizados pelas professoras na preparação das aulas. O investimento com os aparelhos e a infraestrutura foi de aproximadamente R$ 400 mil, segundo a prefeitura. Ainda neste ano, a meta é comprar outros 350 netbooks para atender também as três primeiras séries do ensino fundamental e a pré-escola.

Região recebe netbooks

Duas escolas municipais da região de Rio Preto, em Votuporanga e Sud Mennucci, estão entre as 90 primeiras do Brasil contempladas pelo projeto Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação. No início do mês, o Centro de Educação Municipal Professora Neyde Tonanni Marão, de Votuporanga, recebeu 420 netbooks, enquanto a escola José Benigo Gomes, de Sud Mennucci, ganhou 310. Nos dois colégios, a previsão é que os alunos tenham o primeiro contato com os equipamentos no final de junho. Antes, a infraestrutura de cada escola precisa ser adaptada.

Professoras e técnicos de informática passarão por treinamento na Universidade de São Paulo (USP), na Capital. “Hoje os alunos têm acesso à sala de informática da escola duas vezes por semana, devido à quantidade reduzida de computadores. Acredito que a utilização maior dessa tecnologia vai proporcionar uma experiência enriquecedora a eles”, afirma Devanir da Silva Sanches, diretora do colégio de Votuporanga. O projeto Um Computador por Aluno foi implantado em fase experimental em cinco escolas do País no ano passado. Atualmente já foram distribuídos 35 mil netbooks para escolas da rede pública de 10 estados. Até o final do ano, o MEC pretende entregar outros 150 mil minicomputadores para 300 escolas.

Professor mais preparado

Professores com experiência na área de Tecnologia na Educação afirmam que a introdução de minicomputadores e lousas digitais em sala de aula, como em Onda Verde, representa um importante avanço no processo de informatização das escolas. Mas a qualidade do ensino depende principalmente do projeto pedagógico e da capacitação de professores. “À primeira vista, a ideia é muito positiva. O contato dessas crianças com os equipamentos vai prepará-las melhor para o mercado de trabalho e estudos posteriores, pois elas terão mais facilidade em fazer pesquisas”, afirma Cláudia Lima, docente do curso de pedagogia do Ibilce/Unesp. “Por outro lado, os equipamentos não podem servir apenas para deixar a aula mais bonita. É preciso que os professores estejam muito bem preparados para que as informações digitais sejam compreendidas pelos alunos.”

Para Paulo Rocha, um dos fundadores da ONG Educadores Sem Fronteiras, ainda há desafios a vencer. “É uma grande vantagem. Mas colocar um minicomputador em cada carteira de todas as escolas não vai resolver o problema da educação no Brasil. O desafio é fazer com que o aluno absorva o que há de mais interessante na internet e leia sempre. Se não for assim, a aula só ficará mais divertida”, diz. A ONG Educadores Sem Fronteiras oferece educação complementar a crianças e adolescentes em situação de risco na Capital.

Para o professor de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Núbio Delanne Ferraz Mafra, integrante do conselho editorial da revista Tecnologia na Educação, a disposição de um equipamento por aluno em sala de aula caracteriza uma situação muito privilegiada em um País onde os recursos tecnológicos são raros dentro das escolas. “Chegar a essa posição já é um avanço louvável, ficando clara a preocupação com o ensino. Mas o mais importante é que os professores se sintam seguros para conduzir as aulas utilizando efetivamente esses recursos”, afirma. “A criança precisa ser trabalhada para desenvolver um senso crítico do que é bom e o que é ruim no mundo digital. Se isso acontecer, ela usará a tecnologia de forma inteligente”, diz Ana Cristina Fricke Matta, professora de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

onda-verde-foto-3

Secretário Reginaldo Lima: pais poderão usar netbooks com filhos

 

Novidade: fazer a lição de casa pela internet

A prefeitura de Onda Verde prepara outra novidade para contribuir no processo da informatização educacional. A partir do segundo semestre, alunos e professores poderão se comunicar fora do ambiente escolar em uma plataforma virtual. O sistema, semelhante ao utilizado por faculdades de ensino a distância, permitirá aos estudantes a realização de tarefas e trabalhos pela internet. Cada aluno terá uma senha de acesso. Após concluir as atividades, ele enviará uma mensagem para a professora, que fará as correções necessárias e responderá o contato, apontando os acertos e os erros cometidos.

“A professora poderá passar exercícios para a classe toda, para parte dela ou para um aluno específico, que apresenta mais dificuldades em determinada matéria”, afirma Reginaldo Lima, secretário de Educação. O aluno poderá fazer a tarefa de uma só vez ou em partes, salvando o conteúdo na própria plataforma. O sistema deve ser implantado definitivamente quando os estudantes começarem a levar os netbooks para casa. Antes, para acostumá-los com a plataforma, será disponibilizado um horário no Telecentro da cidade, que conta com 18 computadores, para que os estudantes façam os trabalhos escolares auxiliados por monitores. “É mais uma forma de estimulá-los a usar o computador para aprender”, afirma Márcio Martins, coordenador pedagógico.

 

Bruno Xavier

Fonte: http://www.diariodaregiao.com.br/

“Os alunos aprendiam de forma mecânica. Decoravam uma matéria, faziam a prova e depois se esqueciam do conteúdo. Agora eles têm muito mais interesse, absorvem tudo o que é passado em sala de aula.”

Fernanda Bocalon, Diretora de Escola da Rede Municipal, Onda Verde, São Paulo

Veja o vídeo do projeto



Deixe uma resposta